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Gargalo do cinema: por que a distribuição é tão difícil em vários países?

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A ideia era debater como quebrar a hegemonia do cinema. E não apenas o Brasil, mas vários outros países produtores de cinema também têm dificuldades comuns de distribuição e exibição das suas produções. Representantes da Europa, África e América Latina debateram muito na tarde de sexta-feira sobre como melhorar a distribuição dos filmes produzidos em várias partes do mundo. A discussão fundamentou-se no bom número de produções realizadas a cada ano versus as difíceis distribuição e exibição. A França, por exemplo, através do Presidente da Coalizão Francesa pela Diversidade Cultural, Claude Michel, diversas vezes foi requisitada em orientações sobre como melhorar a distribuição dos seus filmes nos países do eixo Sul-Sul (América do Sul e continente africano). O diálogo mostrou que não existe união sindical em vários países e um artista presente, o ator espanhol Jorge Bosso, registrou que a pressão exercida pela sociedade espanhola organizada levou o governo do seu país a reestudar as leis de seguridade social, de investimentos e passou a proteger os artistas com medidas variadas, respaldando a proposta de manutenção da diversidade cultural, gerando principalmente independência artística. Outro participante, o argentino José Enrique Pérez, disse que a Argentina produz, assim como o Brasil, quase cinquenta filmes anualmente, mas que estes filmes mal chegam aos países vizinhos e que o inverso se aplica. A partir desse raciocínio, questinou o porquê da França, que produz mais de cinquenta filmes por ano, não se une com os demais países europeus, e formam uma associação europeia de cinema, passando a distribuir de modo independente ao dos EUA? "Na França há proteção social aos artistas e aos criadores. Como fazer, através de sindicato ou da comunidade, que o franceses estabeleçam estas proteções?", indagou. O Presidente da Coalizão Francesa pela Diversidade Cultural, Claude Michel, respondeu que a proteção cultural foi criada ao longo de vários anos: "Sim, ela funciona junto com os sindicatos, pois assim oficializamos as ações dos artistas, garantimos aposentadoria complementar, cobertura social importante, em caso de invalidez ou falecimento, mas não existe cota de cinema na França. Só temos efeitos benéficos da indústria e da apropriação do cinema". Essas ações, segundo ele, podem ser usadas como modelo para os países do eixo Sul-Sul. O Secretário Geral do Conselho Nacional de Cinesclubes, João Batista Pimentel Neto, constatou que 99% da população brasileira não tem acesso ao cinema: "O modelo comercial hollywoodiano está com os dias contados e o próprio formato também. Para o cineclubista, a nova geração quer cada vez formatos mais breves". Atento à essa questão, o Presidente da Coalizão Sulafricana, André Le Ruox, informou que a África do Sul atualmente pensa em novas tecnologias para distribuição de conteúdo e fez um paralelo com o mercado de música: "Sabemos que os computadores hoje não são mais os principais dispositivos de divulgação da arte. Em breve as pessoas receberão, por exemplo, informações e música muito mais através dos seus celulares", declarou.
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